Nuno Oliveira Matos constata que os sistemas de informação core, outrora pilares estáveis, transformaram-se em lastro pesado. Modernizar deixou de ser opcional.
Imaginem um corredor olímpico a competir com âncoras amarradas aos tornozelos. É assim que muitas empresas de seguros operam hoje. Os sistemas de informação core, outrora pilares estáveis, transformaram-se em lastro pesado. E o mercado não perdoa lentidão!
Estamos numa encruzilhada crítica. Por um lado, subsistem sistemas nascidos na era do papel, lentos e desconectados. Por outro, os clientes exigem respostas em tempo real, e os custos operacionais são excessivos e sufocam a margem técnica. Portanto, modernizar deixou de ser opcional; é condição de sobrevivência.
Felizmente, o momento nunca foi tão propício:
- A cloud atingiu maturidade operacional, reduzindo riscos e custos;
- A inteligência artificial combinada com fluxos de dados robustos cria superpoderes operacionais;
- Plataformas SaaS de nova geração oferecem velocidade de implementação sem precedentes.
A verdadeira recompensa está muito além da tecnologia. Está no redesenho radical de processos burocráticos, na criação de experiências que fidelizam clientes e intermediários, e na capacidade de lançar novos produtos em semanas. Negócio e tecnologia tornaram-se faces da mesma moeda. Liderar esta mudança exige visão integrada ou o fracasso será inevitável.
Perante este desafio, há três cenários possíveis:
- Desenvolver soluções próprias: dá controlo total, mas dura anos, consome milhões e arrisca obsolescência à chegada;
- A segunda é comprar plataformas SaaS: traz velocidade e inovação contínua, mas exige adaptação dolorosa e cria dependência de fornecedores;
- A terceira é remendar os sistemas existentes: oferece conforto imediato, mas gera ilusão de progresso e custos ocultos exponenciais.
A escolha exige perguntas incómodas: Que funcionalidades são realmente não negociáveis? Os nossos processos adaptam-se à solução ou a solução aos nossos processos? Estamos a proteger dados ou a estrangular inovação?
Alinhar negócio e sistemas de informação é fundamental para lograr eficiência tangível, aceleração do time-to-market e experiência do cliente irrepreensível. Esta jornada transcende tecnologia. É, na realidade, a reinvenção do negócio.
O futuro pertencerá a quem ousar libertar as âncoras dos tornozelos. As decisões de hoje definirão quem serão os arquitetos do amanhã e as relíquias do passado. O relógio não para!
in https://eco.sapo.pt/opiniao/libertar-as-ancoras-dos-tornozelos/
